Aníbal Raposo

16 Outubro 2004, 00H00

Aníbal Duarte Raposo, nascido na freguesia de Relva, concelho de Ponta Delgada a 5 de Dezembro de 1954. No Liceu Nacional de Ponta Delgada (hoje Antero de Quental) faz parte do Orfeão e funda com outros jovens amigos o Coro da Igreja do Carmo onde compõe diversos temas religiosos que se distinguem pela inovação em relação à música habitualmente cantada nos templos nessa época. Em 1973 parte para o Porto para estudar engenharia mecânica terminando a licenciatura em 1978. Durante essa época faz parte da direcção do TUP (Teatro Universitário do Porto) e compõe vários temas para as peças que são levadas à cena por este grupo teatral. Funda com outros colegas o Coro do TUP que percorre todo país dando espectáculos de música popular, tradicional e de intervenção. Em 1978 regressa a S. Miguel onde com Luís Alberto Bettencourt, Emanuel Frazão, Carlos Frazão, Gil Alves, Luísa Alves e Zeca funda o grupo Construção que grava em 1982 o álbum "Há qualquer coisa" com músicas totalmente originais (este álbum, pela sua relevância para a música açoriana, foi reeditado em formato CD em Fevereiro de 2001). O Construção é considerado pela imprensa continental e publicações da especialidade como o grupo revelação do ano. Do LP fazem parte algumas canções escritas pelo autor. Desfeito o grupo Construção, por razões que tiveram a ver com a deslocação para o continente de parte dos seus membros, funda, novamente com Luís Alberto Bettencourt e com Carlos Guerreiro (hoje membro do grupo Gaiteiros de Lisboa), o agrupamento Rimanço dedicado à música popular e tradicional dos Açores. Este grupo é responsável por inúmeros temas originais e espectáculos em praticamente todas as ilhas dos Açores, sendo de salientar três actuações no Festival Maré de Agosto na ilha de Santa Maria. Em 1986 o grupo candidata-se ao Festival da Canção da RTP com o tema "Vapor da Madrugada" tendo arrecadado um honroso segundo lugar. Grava ainda dois singles com os temas "Vapor da Madrugada" (de Luís Alberto Bettencourt"), "Vai-Vem" (do autor) e "Chuva dos meus sentidos" (de Luís Alberto Bettencourt"). Em 1987 actua com o Rimanço a convite da RTP no Festival da Canção que se realiza na cidade do Funchal, ilha da Madeira. Tem participado como compositor e intérprete em diversos programas da RDP e RTP dos quais se destacam os temas escritos para as séries televisivas de José Medeiros "Balada do Atlântico" e "O Barco e o Sonho" - ("Comércio de Angra", com letra de Álamo de Oliveira e "Maré e Natividade"). Estes e o "Tema para Margarida" fazem parte do conhecido CD de temática açoriana "7 anos de música" editado pela DISREGO. Em 1992 com outros músicos açorianos cria o grupo Albatroz que leva a música tradicional açoriana e alguns temas do autor ao festival da canção do mar "Brest 92" na Bretanha francesa. Nessa altura o grupo faz dois espectáculos: um em Brest e outro em Douarnenez (este é gravado e transmitido pela RTP Açores). Uma das interpretações do Albatroz (Tirana) faz parte do CD editado pela organização do evento "Les musiques de la fête" de permeio com grupos de diversos países participantes. De regresso aos Açores o grupo participa no Festival Maré de Agosto desse ano realizado na ilha de Santa Maria. Em 1996 funda o Grupo "Ala Bote" com o fim específico de levar mais uma vez a música tradicional e popular açoriana à Gran Canária ao festival "Mar de Encanto" realizado em Arinaga. Nesse mesmo ano é gravado o CD da fadista micaelense Laudalina Cabral "Minha Terra, Minha Terra" que inclui oito fados originais do autor. Participa ainda em 1996 no CD colectânea da M M MUSIC com o tema "A máscara". Em 1998 colabora com três temas no programa de compositores açorianos intitulado "Máscaras da música" da RTP Açores. Participa, como compositor, no CD "Tons de azul" editado pela Direcção Regional da Cultura com o tema "Eu não sei como te chamas". O CD "Maré Cheia" e foi gravado durante os últimos três anos. Inclui quinze originais do autor compostos entre 1988 e 1998, sendo considerado o melhor disco açoriano editado em 1999 por votação popular levada a cabo pela Rádio Atlântida e esgotado a sua primeira edição de 1000 exemplares, toda vendida nos Açores, a meados de 2000. Sobre o CD Maré Cheia e o seu autor disse a imprensa: "... Maré Cheia é um disco que merece, de facto, ser ouvido em todo o país" in Cartaz, jornal Expresso de 2000-02-19 "Fez-se músico com o vagar de quem se sente amador e por isso exige de si um atroz profissionalismo". Texto sobre o compositor in Pública, jornal "O público" de 14 de Maio de 2000 "Continua a ser no, mínimo, surpreendente o facto da música produzida nas ilhas não chegar ao continente com celeridade, e isto quando ela chega, efectivamente. "Maré Cheia" do açoriano Aníbal Raposo, é um disco de cariz tradicional com apreciável consistência, apoiado em elementos comuns a boa parte da música popular portuguesa e estendendo-se para territórios que podem, por exemplo, ser os da folk habitualmente associada à Irlanda. Munido de algumas letras de valor inquestionável, como quando recorre à palavras de Natália Correia em "Poema destinado a haver domingo", Maré Cheia é um exemplo interessante do que, no Portugal relativamente distante, vai sendo feito em matéria de música popular". in Posto de Escuta, Jornal O Independente, Março de 2000 "Para a maior parte dos habitantes destas ilhas, Aníbal Raposo é sobretudo conhecido por ser um músico, um compositor de canções que passou, provavelmente, pelos mais importantes grupos que vincaram a existência de uma música feita nos Açores. Hoje o seu nome é já uma referência no campo da cultura insular". in Correio dos Açores de 11 de Junho de 2000 Em Abril de 2000 apresenta o CD "Maré Cheia" em Faro, no bar Porto Fino acompanhado pelo pianista Carlos Frazão, a convite da Casa dos Açores do Algarve, e no Porto na Casa dos Açores do Norte, a convite desta instituição. Participa como compositor no CD "Aqui também se faz fado" de Piedade Rego Costa e Alfredo Gago da Câmara editado em 2000. Participa em durante os anos 2000 e 2001 em diversos programas da RTP Açores, Antena 1- Nacional, RDP-Açores, Rádio Atlântida com transmissão local, nacional e internacional. É membro da Sociedade Portuguesa de Autores desde 1996. Ponta Delgada, 21 de Fevereiro de 2001

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