A Passagem das Horas

24 June 2015, 21H30

​De Álvaro de Campos
Encenação e Interpretação de Nelson Cabral

FERNANDO PESSOA disse um dia que “Álvaro de Campos é o personagem de uma peça; o que falta é a peça” – o que se pode aplicar à ode “A Passagem das Horas” que o poeta deixou inacabada e a que Nelson Cabral vem agora dar corpo.

Poema trágico por natureza, “A Passagem das Horas” é a expressão do homem moderno que procura encontrar-se, que quer saber de si, que deseja acompanhar o louco movimento do mundo, para, no final, concluir que tudo é nada: Álvaro de Campos deseja para si toda a experiência do mundo e, como uma esponja informe, absorver todos os tipos de pessoas, sentir a vida dos outros, seguir o movimento dos corpos, habitar em todos os lugares, comungar de todos os costumes – enfim, captar todos os sentidos do seu tempo. Mas, dividido entre a paralisia em que se encontra e a velocidade a que aspira, entre tudo querer e em tudo falhar, entre a renúncia e a integração, entre o êxtase e o enjôo, entre o trágico e o esperançoso, o poeta assiste ao tempo que se esvai, assume a sua relatividade, e acaba por se reconhecer como saudade.

É esta a personagem da peça. E agora, encenada pela voz e pelo corpo de Nelson Cabral, eis a peça em que actua Álvaro de Campos – o poeta que se esvaía entre o sentir de mais e o sentir de menos.

Dias: 24, 25 e 26 de junho
Duração: 50m
Classificação: m/16
Preço: €8 (descontos aplicáveis)

Nota: a lotação deste espetáculo está limitada a 50 pessoas por sessão.

Share event